VALOR ECONÔMICO: Maioria ainda não sente melhora no bem-estar

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VALOR ECONÔMICO: Maioria ainda não sente melhora no bem-estar

O jornal Valor Econômico traz com exclusividade pesquisa do Instituto Locomotiva sobre a crença dos brasileiros em relação à economia e a recuperação do país.

 

O levantamento mostra que 48% dos entrevistados acreditam que a vida de forma geral não mudou nos últimos 12 meses, enquanto 23% dizem que ficou pior ou muito pior. Uma parcela de 21% dos entrevistados percebe que a vida ficou melhor e 5%, muito melhor. 

 

"A ideia de qualidade de vida é bem ampla e, a rigor, pode captar diferentes sentimentos, como a própria violência. Mas, acredite, no fundo, é sempre sobre a economia. E a percepção geral é que as coisas pararam de piorar, mas ainda não começaram a melhorar realmente. É como se estivéssemos no início de um processo ainda é muito frágil", disse Renato Meirelles, sócio e presidente do Instituto Locomotiva.

 

 

Leia o texto na íntegra abaixo:

 

"Maioria ainda não sente melhora no bem-estar

 

Por Bruno Villas Boas 11/06/2018 às 05h00

 

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, de 0,4% em relação aos três meses anteriores, manteve a economia em trajetória de recuperação, mas ainda não foi suficiente para gerar percepção de melhora de vida nas metrópoles. O sentimento da maior parcela da população é que as coisas estão iguais nos últimos 12 meses - na vida em geral, na renda, nos preços.

 

Sondagem do Instituto Locomotiva com 2.006 pessoas de 19 regiões metropolitanas, obtida com exclusividade pelo Valor, mostra que 48% dos entrevistados acreditam que a vida de forma geral não mudou nos últimos 12 meses, enquanto 23% dizem que ficou pior ou muito pior. Uma parcela de 21% dos entrevistados percebe que a vida ficou melhor e 5%, muito melhor. Eles foram ouvidos na primeira semana de maio.

 

"A ideia de qualidade de vida é bem ampla e, a rigor, pode captar diferentes sentimentos, como a própria violência. Mas, acredite, no fundo, é sempre sobre a economia. E a percepção geral é que as coisas pararam de piorar, mas ainda não começaram a melhorar realmente. É como se estivéssemos no início de um processo ainda é muito frágil", disse Renato Meirelles, sócio e presidente do Instituto Locomotiva.

 

Quando perguntados sobre a qualidade de vida dos outros brasileiros, os entrevistados fazem uma avaliação ainda mais pessimista. Conforme a sondagem, 71% deles acham que a vida dos brasileiros está igual, pior ou muito pior do que há um ano. "Essa percepção sobre a vida do outro reflete o que as pessoas leem na internet e nos jornais, além da opinião de quem está próximo."

 

Com a lenta recuperação do mercado de trabalho, a maior parte (42%) das pessoas entrevistadas não percebeu ainda melhora da própria renda. Quase um quarto (24%) avalia que seus ganhos, inclusive, pioraram ou mesmo pioraram muito ao longo dos 12 meses até maio. Uma outra parcela, de 26%, respondeu que a renda melhorou e 4% que melhorou muito nesse período.

 

A percepção é condizente com a realidade do mercado de trabalho. Dados do IBGE mostram que a renda real dos trabalhadores foi de R$ 2.165 de fevereiro a abril, baixa de 0,2% frente ao trimestre móvel anterior. O país tem 13,4 milhões de desempregados, número que não é ainda pior porque há 4 milhões de desalentados - os que sequer procuram emprego por não acreditar que vão encontrá-lo.

 

"Os efeitos da recuperação começaram a aparecer no mercado de trabalho, mas o nível de desemprego permanece muito elevado. Até porque partimos de uma base bastante ruim. A melhora no emprego formal, por sua vez, é ainda bastante gradual. Então, faz sentido que não exista ainda uma sensação geral de melhora", disse José Ronaldo de Castro Souza Júnior, diretor de macroeconomia do Ipea.

 

Mesmo no campo da inflação, fonte de boas notícias no ano passado, a percepção não chega a ser favorável. Dos moradores das metrópoles, 46% acreditam que preços estão iguais nos últimos 12 meses e 24% que estão piores ou muito piores. Eles não deixam de ter razão: a cesta de bens e serviços acompanhada pelo IPCA ficou 2,86% mais cara em 12 meses - ou seja, os preços subiram pouco, na média, mas subiram.

 

Maurício Prado, diretor-executivo da consultoria Plano CDE, diz que, apesar da deflação dos alimentos, outros itens com peso relevante no orçamento das famílias ficaram mais caros nos últimos meses, carregando a percepção de uma inflação igual ou pior. É o caso do gás de cozinha, da gasolina e dos medicamentos, por exemplo. São itens mais sensível para famílias das classes C, D e E.

 

"A inflação baixa é pouco percebida também porque o poder aquisitivo não voltou aos níveis pré-crise. Ou seja, parou de vazar água do balde, mas ele ainda não está enchendo. As classes de menor renda ainda estão preocupadas sobre como vão pagar as contas no fim do mês, até porque não têm poupança", disse o diretor-executivo da Plano CDE.

 

Como a pesquisa ocorreu antes da greve dos caminhoneiros, o resultado sobre variação de preços provavelmente seria mais marcado se as entrevistas ocorressem hoje. Com restrição de oferta, itens como gasolina e alimentos ficaram mais caros. O IPCA de maio subiu 0,40%, acima da previsão dos analistas para o mês. E nova pressão é prevista para junho.

 

Para Meirelles, do Locomotiva, a melhora do mercado de trabalho é uma peça-chave para uma mudança de percepção dos brasileiros sobre qualidade de vida e bem-estar. Essa recuperação depende, em boa medida, de uma aceleração do ritmo da atividade econômica e da maior confiança sobre o futuro entre empresários.

 

O presidente do Instituto Locomotiva aponta ainda para a necessidade de construção de um "discurso de futuro" por lideranças políticas, empresariais ou da sociedade civil. Esse seria um dos caminhos para injetar otimismo e produzir um novo ciclo de renda e consumo no país.

 

"Os brasileiros querem um discurso de futuro, mas os políticos ainda estão presos a um discurso de passado. Os candidatos estão em um Fla-Flu, em vez de chamar uma união nacional. Se o caminho for a divisão política, vai ser uma eleição fragmentada e com aumento da distância entre representantes e representados", disse Meirelles.

 

A sondagem mostrou que 71% dos entrevistados acham que a política ela está igual, pior ou muito pior nos últimos 12 meses. Para eles, o Brasil de forma geral está igual (44%), pior ou muito (20%) de um ano para cá. "Todos achavam que a situação estava ruim no ano passado, e ela continuou ruim", resumiu Meirelles.

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